Sem alarde e antes mesmo do primeiro acorde soar no palco havaiano, American Idol 24 já provocou sua plateia ao confirmar a lista dos 30 candidatos que viajam até Ko Olina para a inédita fase ‘Ohana Round. É a primeira vez que a produção substitui a tradicional etapa de performances ao vivo por um “grupo de choque” formado por influenciadores e profissionais da indústria, ideia que promete dar ritmo acelerado ao corte que definirá o Top 20.
Do lado de cá da tela, a curiosidade cresce na mesma medida em que o reality se distancia da fórmula consagrada em Hollywood Week. A seguir, destrinchamos como cada elemento — de jurados e apresentador a roteiro de edição — contribui para esse novo momento do programa que, há mais de duas décadas, reinventa o formato de competição musical na TV aberta norte-americana.
Nova fase ‘Ohana Round coloca 30 vozes à prova
Filmada no Aulani, resort da Disney no Havaí, a ‘Ohana Round altera as regras do jogo em American Idol 24. Os 30 escolhidos — que passaram pelas audições em Nashville — cantam diante de um painel de “tastemakers” com quase 149 milhões de seguidores somados, além de parentes e concorrentes que assistem de perto às apresentações. Em apenas dois episódios, o grupo se reduz a 20 nomes aptos a depender, dali em diante, do voto popular.
A lista final confirma talentos de perfis bem distintos. O australiano Sheldon Riley, cuja trajetória vem sendo acompanhada de perto pelo Azza Boutique, divide espaço com adolescentes como Abayomi, de 15 anos, e experientes professores de música, caso de Keyla Richardson. Há ainda compositores autorais, como Kyndal Inskeep, e intérpretes dedicados ao circuito country, a exemplo de Bryant Thomas. Essa miscelânea dá a tônica do episódio: a produção aposta na diversidade vocal para alimentar tensão dramática e, de quebra, atrair diferentes nichos de audiência.
Como os jurados avaliam os competidores em Nashville
Antes de embarcarem rumo ao Pacífico, os aspirantes encararam Lionel Richie, Carrie Underwood e Luke Bryan no palco montado na Belmont University. A edição mostra os três em atuação quase teatral: Richie assume o papel de mentor emocional, Underwood funciona como régua técnica e Bryan completa o trio com observações de timing cênico. Essa divisão de “personagens” não é casual; roteiristas do programa escrevem os arcos de cada candidato com base nas reações do júri, transformando a avaliação em fio narrativo que sustenta toda a temporada.
No corte final exibido ao público, nota-se uma montagem que privilegia falas curtas e objetivas — recurso de roteiro que cria sensação de agilidade. É aqui que American Idol 24 reforça a aposta em voz ativa: perguntas diretas (“qual é sua história?”, “por que esta canção?”) dão ritmo às cenas e aproximam o espectador do candidato, estratégia essencial para quem, mais adiante, precisará de votos.
Bastidores da mudança para o Havaí
O deslocamento de Nashville para o Aulani Resort não é mero capricho visual. Ao levar o elenco para um espaço aberto, cercado por mar e vegetação, a direção encontra luz natural farta e composições de câmera mais convidativas — fatores que conversam bem com a identidade colorida da marca American Idol. Na prática, a opção também facilita entradas ao vivo nas redes sociais, outra exigência do roteiro multiplataforma que sustenta a presença digital do reality.
Além disso, a ambientação havaiana serve de laboratório para os 30 artistas testarem repertório sob clima de show ao ar livre. Diferentemente dos palcos fechados, a área externa exige projeção vocal específica, o que pode favorecer quem domina técnica de respiração. Entre os observadores, nomes como Loren Gray e Cheryl Porter fornecem feedbacks que tendem a aparecer na edição como selos de validação profissional. Esse “selo” reforça a narrativa de descoberta de estrelas e dialoga com cases recentes de fenômenos mascarados, citando o impacto de figuras como o 14 Karat Carrot em The Masked Singer.
O que esperar da reta final rumo ao Top 20
Com a tesoura afiada para cortar dez vozes em dois episódios, a produção deve apostar em montagens paralelas que contrastem êxtase e frustração, recurso clássico de reality musical. A expectativa é que candidatos com forte identidade visual, caso de Ruby Rae e Tianna, recebam tempo de tela adicional, enquanto compositores autorais podem ter trechos de canções exibidos ao fundo em sequências de bastidores — técnica que, historicamente, estimula buscas em plataformas de streaming.
A jornada também ganha camadas extras quando se observa a atuação de Ryan Seacrest. O apresentador, acostumado a mediar suspense, agora divide espaço narrativo com câmeras de celular que registram reações familiares em tempo real. Esse “documentário dentro do show” atualiza o formato e se alinha ao consumo rápido que move o público do Google Discover.
Ficha técnica de American Idol 24
Apresentação: Ryan Seacrest | Jurados: Lionel Richie, Carrie Underwood, Luke Bryan | Showrunner: Nigel Lythgoe | Direção de episódio: equipe rotativa da Fremantle | Roteiro de edição: núcleo interno da ABC | Local de gravação: Belmont University (Tennessee) e Aulani Resort (Havaí) | Exibição: ABC, às segundas, 20h (ET).
American Idol 24 fortalece sua marca ao equilibrar narrativa dramática, performances de alto nível e estratégias de produção que colocam o espectador no centro da ação. A contagem regressiva para o Top 20 já começou.
