Sheldon Riley chegou ao palco de American Idol 24 carregando algo incomum: uma lista extensa de realities no currículo. No primeiro teste em Nashville, o cantor de 26 anos se desfez das máscaras de produções anteriores e apostou apenas na própria voz.
O resultado foi imediato. Lionel Richie, Carrie Underwood e Luke Bryan concederam o cobiçado golden ticket para Hollywood Week, reconhecendo a potência interpretativa do australiano que, desta vez, recusou truques visuais.
O impacto do teste em Nashville
No estúdio da etapa inicial, Sheldon escolheu Brother, de Matt Corby. A canção exigia alcance vocal amplo e sutilezas de dinâmica, duas características que os jurados valorizam em American Idol. O artista controlou os agudos sem escorregões e encerrou com falsete limpo, algo que rendeu elogios de Lionel Richie sobre “densidade emocional”.
O momento também marcou a primeira vez em que ele apareceu sem figurinos avant-garde. O gesto foi citado pela própria Carrie Underwood como “uma entrega honesta”, reforçando a narrativa de superação que o cantor construiu após ter sido desencorajado em competições anteriores.
Experiência acumulada em outros realities
Antes de desembarcar no American Idol, Sheldon experimentou altos e baixos em programas de talento. Em 2016, entrou no The X Factor Australia, onde chegou a formar a boy band Time and Place a convite de Iggy Azalea. O grupo, no entanto, caiu logo na primeira semana de shows ao vivo.
Dois anos depois, o artista migrou para The Voice Australia, conquistou quatro cadeiras viradas e chegou à final sob a mentoria de Boy George, ficando em terceiro lugar. Ele retornou como “all-star” na edição seguinte, avançando até a semifinal. Mesmo sem vencer, transformou cada aparição em vitrine para seu estilo dramático.
A maratona continuou em America’s Got Talent 15, eliminado nos quartos de final, e seguiu no Eurovision – Australia Decides, onde venceu jurados e público com a autoral Not the Same. A música garantiu um 15º lugar para a Austrália na Eurovisão 2022. Ainda figuram na lista The Masked Singer Australia, em que ficou como vice, e America’s Got Talent: Fantasy League, deixada para trás nas semifinais.
Repertório autoral e hits lançados
Entre uma disputa e outra, Sheldon investiu em singles próprios. Fire, More Than I e Left Broken demonstram preferência por baladas que mesclam pop orquestral e elementos eletrônicos. Já Again e Never Enough ampliaram a base de streaming ao manter assinatura vocal intensa.
O destaque permanece com Not the Same, balada autobiográfica sobre autismo e autoaceitação. Lançada em fevereiro de 2022, a faixa estreou na terceira posição da Australian Independent Label Singles Chart e se tornou cartão de visita para novos convites na cena internacional.
Como a banca de American Idol reagiu
Durante a avaliação, Luke Bryan foi o primeiro a votar “sim”, ressaltando a escolha de repertório “cinematográfico”. Carrie Underwood, vencedora do programa em 2005, apontou o controle respiratório como diferencial direto para as fases ao vivo. Lionel Richie concluiu destacando a evolução do candidato desde a última tentativa em realities.
Sheldon declarou que, apesar de já ter encarado análises rigorosas de nomes influentes, esta foi a primeira ocasião em que sentiu aprovação genuína, pois não interpretava um personagem. A fala remete à autocrítica que o artista fez sobre “odiar o reflexo no espelho” após se despir de figurinos exagerados.
A acolhida calorosa reproduz um movimento visto em outros formatos: quando competidores experientes retornam repaginados, o apelo de história de redenção cresce. Fãs de programas como The Real Housewives of New Jersey observaram processo semelhante quando uma trégua de Natal inesperada ganhou destaque, devolvendo expectativas à franquia.
Vale a pena acompanhar American Idol 24?
Do ponto de vista de performance vocal, a presença de Sheldon Riley adiciona tempero técnico à temporada. O histórico em múltiplos realities serve como laboratório antecipado; portanto, sua passagem promete execuções milimetricamente ensaiadas e repertório calculado.
Há ainda o fator dramático. A narrativa de tirar a máscara e se mostrar “sem fumaça e espelhos” dialoga com tendências recentes de realities que valorizam vulnerabilidade. Esse componente cênico pode atrair até quem pouco acompanha competições musicais.
Para a audiência brasileira, é oportunidade de observar como um artista formado fora do eixo EUA-UK constrói audiência global. No Azza Boutique, analistas já apontam que a jornada do australiano pode funcionar como estudo de caso sobre branding pessoal em larga escala.
